Foi a mesma Assembleia Constituinte de 19 de Junho de 1911, que aprovou a Bandeira Nacional, que
proclamou "A Portuguesa" como Hino Nacional. Ficou, assim, oficializada a composição de Alfredo Keil e
Henrique Lopes de Mendonça que, numa feliz e extraordinária aliança de música e poesia,
respectivamente, conseguira interpretar, em 1890, com elevado sucesso, o sentimento patriótico de
revolta contra o "Ultimato" que a Inglaterra, em termos arrogantes e humilhantes, impusera a Portugal.
Em 1956, constatou-se que existiam algumas variantes do Hino não só na linha melódica, como até nas
instrumentações, especialmente para banda. O Governo nomeou, então, uma comissão encarregada de
estudar a versão oficial de "A Portuguesa". Essa comissão elaborou uma proposta que foi aprovada, em
Conselho de Ministros, em 16 de Julho de 1957, e é a que actualmente está em vigor.
Alfredo Keil, filho dum célebre alfaiate alemão, nasceu em Lisboa, em 1894. Morreu com 53 anos, em
1907. Estudou em Nuremberga e em Munique. aprendeu Pintura e Música. Obteve prémios pelas suas
telas que o próprio Rei D. Luís gabou e adquiriu. As lisboetas tocavam e dançavam as suas polcas e
valsas. Compôs as óperas "D. Branca" e "A Serrana".
Num arrebatamento patriótico, por causa do "Ultimato Inglês", compôs a música do Hino "A
Portuguesa". Pediu a letra a Henrique Lopes de Mendonça, oficial da Marinha e dramaturgo consagrado
com a sua peça "Duque de Viseu".
Henrique Lopes de Mendonça era sobrinho dum célebre folhetinista que enlouquecera. Dele herdou o
talento. Cheio de entusiasmo, naquela hora trágica, escreveu, em honra de Portugal, as palavras para a
música oferecida, por um alemão de origem, à terra que acolhera os seus antepassados