Naquele tempo antigo, havia umas freiras viviam no Convento da Caloura e que se sentiam muito tristes, porque o povo de Água de Pau andava muito afastado da fé e do temor a Deus. As religiosas rezavam fervorozamente para que aquela população voltasse a ter fé e amor ao Senhor.
Tinham esperança que se houvesse uma imagem nova no Convento, talvez a atitude dos paroquianos se alterasse e despertassem de novo para a fé.
Escreveram uma carta a sua Santidade o Papa, pedindo-lhe a imagem que tanto queriam, mas que não tinham dinheiro para comprar. O pedido das religiosas não foi atendido, porque na altura não podia ser.
As freiras ficaram muito tristes, porém, não desesperaram e continuaram a rezar com fé.
Estava-se numa época de pirataria nos mares dos Açores e aconteceu que, passando um navio ao largo da ilha, foi atacado e totalmente destruído por corsários.
Muitos destroços do navio vieram dar à costa e, um certo dia, depois das freiras tratarem do jardim, foram descansar a olhar para o mar. Viram, na água, uma caixa perto da costa que parecia ter uma luz lá dentro. Desceram a rampa a correr, puxaram o caixote, abriram-no e viram que era um lindo busto de Cristo, de olhar vivo, expressão humilde e serena.
Acharam que tinha sido um milagre porque Santo Cristo tinha escolhido aportar à ilha de São Miguel, cujo povo costumava ser muito crente. Quando o povo de Água de Pau tomou conhecimento do acontecimento, ficou muito feliz.
A fé dos habitantes da Vila cresceu, a fama dos milagres de Santo Cristo espalhou-se por toda a ilha. Desde então Santo Cristo passou a ser a esperança e o apoio de todos os micaelenses.
Durante anos, Santo Cristo foi venerado no Convento da Caloura, mas as freiras, que sofriam constantemente os ataques dos piratas, fugiram e foram refugiar-se em Ponta Delgada, no Convento da Esperança, levando consigo a imagem , onde ainda hoje se encontra.
Nos nossos dias a fé no Senhor Santo Cristo não se perdeu, está cada vez mais viva, como se pode ver nas festividades e principalmente na linda procissão que se faz em sua honra, no quinto domingo depois da Pascoa.