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A dívida de gratidão que têm os açorianos para com a sua memoria

Estas linhas procuram apenas, e certamente sem conseguirem atingir o seu objectivo, fazer justiça ao inquebrantável e dinâmico açorianismo de um micaelense e amigo falecido em 25 de Agosto deste ano.

Comecemos por alguns dados biográficos. O Manuel Francisco nasceu em 30 de Agosto de 1932 em Ponta Delgada. Seus pais, Francisco e Laura, oriundos de Portugal continental, haviam-se estabelecido naquela cidade e, além de comerciantes no ramo de fazendas, possuíam diversas propriedades urbanas e rurais. Casado em 19 de Abril de 1953 com Maria Eduarda Carvalho, filha de José Miguel de Carvalho, abastado comerciante por atacado de produtos alimentares, e de sua esposa Bárbara, foi em Março de 1978 que o Manuel Francisco e família passaram a residir em Toronto.  Três filhas e 13 netos constituem o seu valioso contributo para o crescimento populacional das terras descobertas pelos Corte-Reais.

Seis meses após a sua chegada, o Manuel Francisco lançou o “Portugal Ilustrado”, um quinzenário cuja versão impressa se manteve até Setembro de 2003, altura em que passou a ser digital e assim se manteve até pouco antes do falecimento do seu editor e proprietário.

Se o seu envolvimento no jornalismo constituiu, por si apenas, meritória actividade, foi como pioneiro na revelação dos Açores nestas paragens, que o Manuel Francisco deu provas de um esclarecido orgulho da sua terra natal, como paladino que foi na projecção das nossas ilhas.  Com efeito, a partir de 1986, Oliveira Neto criou e anualmente manteve até 2004 os Ciclos de Cultura Açoriana, uma iniciativa de excepcional valor que sempre pôs à prova a capaciade realizadora do Manuel Francisco e que durante uma média de 10 dias era palco para a intervençâo de nossos conterrâneos que, na sua maioria, aqui se deslocavam dos Açores, de Portugal e dos Estados Unidos para presentearem as vastas assistências com a  diversidade dos seus conhecimentos ou da sua artisticidade.  Digna de mençâo a preocupaçâo de Oliveira Neto em sempre procurar incluir a mais diversa e rica participaçâo de açorianos aqui fixados. A colaboraçâo incansavel de sua mulher nâo poderia escapar a este modesto  tributo e agradecimento.  Ocasiâo oportuna para parafrasear Camôes e afi rmar quâo ditosa é a terra que tais filhos teve. 

Creio bem que a Comunidade Açoriana nestas paragens, e os açorianos em geral, têm para com o  Manuel Francisco uma enorme divida de gratidâo: a sua persistência e esclarecido orgulho foram o veiculo que até hoje mais contribuiu para que os Açores fossem final e devidamente descobertos em toda a vasta gama dos seus valores.  Poetas e prosadores, cientistas e investigadores, historiadores e pedagogos, politicos e profissionais das mais diversas especialidades, banqueiros e sociologos, pintores de arte, talentosos intérpretes de teatro, musica e  dança, filmes e videos, e ainda grupos folcloricos de todas as ilhas, numa inumeravel quantidade de meios altamente qualificados para fazerem justiça aos  Açores na sua magestosa dimensâo.