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Toronto, Canadá, 10 jun (Lusa) – Uma comunidade escolar de origem portuguesa no Canadá pretende usar o futebol para reduzir as tentativas de suicídio numa localidade remota indígena no norte do Ontário.
A equipa de futebol sénior masculina da Escola Secundária Católica Bishop Marrocco / Thomas Merton ‘Royals’, campeã da região de Toronto, e terceira melhor equipa do Ontário, pretende ganhar também fora do campo de futebol.
“Desde setembro de 2015 que mais de 100 jovens de uma comunidade remota de indígenas tentaram suicidar-se. É necessário fazer alguma coisa”, disse à agência Lusa Paulo Pereira, de 43 anos, o treinador dos ‘Royals’.

Há 25 anos no Canadá, o lusodescendente natural de Barcelos (distrito de Braga), explicou que um grupo da equipa de futebol com 14 elementos, dos quais dez são portugueses, vai estar de 18 a 24 de junho na comunidade Attawapiskat , em James Bay, onde vão promover um campo de verão com atividades de futebol, interagindo com aquele povo não só na componente desportiva.

“Vamos-lhes explicar as regras do futebol e toda a emoção que há nesta modalidade desportiva. Estamos muito sensibilizados para toda essa problemática da tentativa de suicídio. Esta é uma forma positiva de interagir com a comunidade”, sublinhou.

A comunidade declarou em maio passado, o estado de emergência, após 11 dos seus elementos tentarem suicidar-se numa semana, com 28 casos verificados no mês de março e já meia centena de tentativas de suicídio verificadas este ano.
Para o guardar-redes dos ‘Royals’, o português João Moniz, de 19 anos, o futebol pode ser o remédio para manter ativos os jovens da comunidade indígena.
“Esta é uma forma de refúgio. Estou no Canadá há cinco anos e tive muitas dificuldades na adaptação ao país mas devido ao futebol e apoio dos treinadores consegui ultrapassar todas essas barreiras”, disse o jogador natural de S. Miguel (Açores).
Para Henrique Franco, de 20 anos, também elemento da equipa, o objetivo da iniciativa é “dar a conhecer um pouco da paixão do futebol”, e ter um “contato constante com aquele povo”.

“Também vamos lá para aprender a cultura deles, até porque durante a nossa presença naquela localidade, no dia 21 de junho, vamos assistir ao maior festival cultural daquela comunidade”, justificou o estudante natural de Torres Vedras (distrito de Lisboa), no Canadá há três anos.
Paulo Pereira acrescentou que o grupo vai levar também a “marca Portugal”, ilustrada pelo Galo de Barcelos e pelo cachecol da seleção portuguesa de futebol, “porque estamos no Europeu de Futebol”.
A iniciativa prevê também a doação de algum material como roupa e equipamento desportivo, com o Toronto FC, equipa canadiana da liga principal, a contribuir com mais de mil camisolas de treino e trinta bolas de futebol.
Neste momento o grupo necessita de equipamento e calçado para crianças até aos 12 anos.
A comunidade de Attawapiskat conta com cerca de 1.500 residentes, dois terços têm menos de 35 anos e está localizada a mais de mil quilómetros de distância de Toronto.

Com um orçamento que ronda os 25 mil dólares canadianos (17 mil euros) de apoios do setor privado, o acesso àquela região isolada terá que ser feito de avião.
“Numa primeira fase vamos de avião até Timmins (cidade situada a cerca de 700 quilómetros a norte de Toronto), depois vamos alugar dois aviões de nove lugares cada um, para nos deslocarmos à comunidade Attawapiskat”, contou Paulo Pereira.

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