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Entre os piratas e corsários que infestavam o mar dos Açores, havia um chamado Laplace, que gostava muito de descansar na Ilha da Graciosa, mais precisamente na baía da Folga.
Laplace era francês e bonito rapaz. Alto, forte, de ombros largos, inspirava respeito e temor.
A população da Graciosa não tinha grandes razões de queixa pois ele nunca ali cometera nenhum desacato.
No entanto, sabendo que se tratava de um corsário, evitavam aproximar-se dele.
Certo dia, Laplace viu sair da igreja uma rapariga magríssima de cabelos pretos e olhos assustadiços, que não saberia dizer se era bonita ou feia mas que lhe arrebatou o coração.
Seguiu-a e nessa mesma noite chegaram à fala. Branca, assim se chamava a rapariga, não tinha pretendentes e ficou desvanecida por ter despertado amor naquele homenzarrão.
Inclinada no parapeito da janela, prometeu segui-lo até ao fim do mundo.
Quando o pai soube, foi um Deus nos acuda! Ofereceu-lhe pancada, quis fechá-la em casa a sete chaves e até a ameaçou com o convento. Branca não fazia outra coisa senão chorar e gritar:
-As minhas irmãs já casaram e eu não quero ficar para tia!
Tanto chorou, tanto gritou, que comoveu os pais.
Gostariam de lhe arranjar noivo, mas como?
A maior parte dos rapazes da ilha já estavam casados!
Conversaram longamente com a filha, tentando-a convencer de que a vida de solteira não era assim tão má. Ela continuava a insistir no mesmo:
-Quero-me casar, quero-me casar!
O pai também se mostrou inflexível. A ideia de ver a filha casada com um pirata desnorteava-o, sobretudo porque a maior parte dos piratas eram mouros e praticavam outra religião.
-Filha minha não casa com um infiel - decidiu.
-O assunto está encerrado.
-Não estava Laplace, logo que foi informado a respeito do problema, enviou ao futuro sogro uma cruz de ouro cravejada de pedras preciosas. Era a sua forma de mostrar que praticava a religião cristã.
A jóia removeu todos os obstáculos!
Pouco tempo depois, os sinos repicaram festejando a boda de Branca com Laplace, que depois de casados foram felizes para sempre.