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Há muito tempo atrás, alguém ia um dia para os lados do Morro, na vila das Velas, São Jorge, tratar de alguma vaca ou arranjar um pedaço de terra quando, ao passar por um serrado que ficava mesmo no sopé do monte, encontrou uma imagem da Senhora do Livramento.

Ficou muito satisfeito e, em vez de a levar para casa como gostava; deixou-a num lugar mais próprio, na igreja Matriz, junto com Imagens de outros Santos.
No dia seguinte, a Imagem da Santinha, sem que ninguém a tivesse levado, já estava outra vez no descampado onde tinha sido encontrada pela primeira vez.
Voltaram a trazê-la para a igreja Matriz, mas ela presentava-se sempre no pastinho que ficava perto do mar onde se chegava por uma canadinha estreita e difícil.

Vendo que a Imagem da Santinha queria ficar naquele lugar deserto, como que a proteger aquela parte da vila, construíram uma ermida muito pequenina e muito pitoresca, de costas voltadas para o Morro e com a frente a olhar para o casario e para a vila em geral. Era a Ermida de Nossa Senhora do Livramento. Lá puseram a Imagem da Santinha e começaram a fazer uma festa à sua protectora.

Faziam uma Procissão muito bonita que percorria um grande troço de caminho desde a ermida até à igreja Matriz, lembrando esse percurso as viagens que a santinha fazia para estar no lugar onde desejava.
Parte do caminho era muito estreito e pedregoso mas, como todos tinham muita fé na Senhora do Livramento, ninguém deixava de se incorporar na Procissão.